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10 de fevereiro de 2010

Alma japonesa?

Outro dia uma aluna não nikkei me surpreendeu novamente.

Com seus 15 aninhos, contou-me que, mesmo antes de se tornar aficcionada por animes e mangás, compreendeu, de alguma maneira, algumas das diferenças culturais normalmente pouco compreensíveis aos assim chamados "ocidentais".
No Japão, reza a etiqueta que, ao ganharmos um presente, não é elegante já ir logo abrindo-o na frente da pessoa. Já no Ocidente, a mesma atitude pode denotar descaso, não é mesmo?
E a questão do "harakiri"? O suicídio do guerreiro. A ainda aprendiz de mulher me contou que, ao ouvir na escola as explicações sobre os "kamikazes" durante a 2a. grande guerra, ela compreendeu e concordou que não é possível viver uma vida sem honra. Ou se vive com honra, ou se morre honrosamente. Nada de viver a todo custo. Não conseguiu ser bem sucedido na missão à qual foi incumbido? Deve deixar a vida solenemente. Difícil mas gostaria de entender? Lendo ou assistindo "Shogun" talvez seria um bom começo!

18 de janeiro de 2010

Da fidelidade


Assisti outro dia "Hachiko monogatari". Ainda não assisti o remake estrelado pelo Gere "Sempre ao seu lado". Eu não sabia nada sobre esse cão akita até quando li a estória num livro-texto que uso com alunos de japonês. Só depois, quando um aluno foi para o Japão, fiquei sabendo que a estória é famosa por lá. Agora, com o remake, passa a ser conhecida no ocidente também! Leia mais em: http://www.clubedoakita.com.br/historia-de-hachiko-monogatari.html

O canto de um pássaro já me faz chorar facilmente. Durante este filme, confesso que acabei chorando quase o tempo todo, de emoção. É água com açúcar? Pode até ser. Mesmo assim, confesso aqui que adorei o filme! Particularmente gostei da forma como mostrou o afeto por parte do dono do cão. Na maioria dos filmes japoneses, só se mostram homens com fachada durona.
Meu Musashi, já com oito meses, também já tem se mostrado muito ligado a mim. Emociono-me só pelo fato de ele estar sempre por perto. Essa fidelidade, esse amor, só quem já teve um cão conhece, como disse Schopenhauer.



22 de março de 2009

Da solidão


Fui dar aula em São Luis do Maranhão. Aproveitei para assistir um DVD que me emprestaram: Tony Takitani (a resenha nesse link está muito básica, para não dizer tola...) com trilha de meu artista preferido, Ryuichi Sakamoto. Fantástico. Veja o trailer. Não sei onde se consegue aqui no Brasil. Esse que assisti foi adquirido em Londres. A solidão é presente. A circunstância da vida do protagonista o fez preferir a solidão. Mas, ao conhecer o amor, ele vê o quão ruim é estar só. 

Hoje liguei para dois amigos muito próximos para ver se me encontrava com eles ao chegar em São Paulo. Um deles estava com febre, de cama. Tudo bem, vamos então nos encontrar semana que vem. 
Estou só. Mas, depois de tudo o que aconteceu nos últimos tempos, ainda não me senti solitária. Não sei se isso é bom. Sinto-me independente demais.
Que bom que não vim a combinar nada, pois tive problema em meu vôo. Estávamos todos embarcados. Tinha reparado que o vôo estava lotado. Já tinham fechado a porta "em manual"...Surgiu um funcionário que anunciou: a aeronave estava com excesso de peso.  Sete voluntários teriam de desembarcar e voar no vôo seguinte. 
Pensei eu: não tenho problema nenhum em chegar mais tarde. Além de não haver ninguém me esperando, não me prejudicarei por chegar uma hora depois. Claro que adoraria chegar logo ao aconchego de meu lar, mas posso ir nesse vôo posterior. Mas, na verdade, eu gostaria é que as pessoas pensassem assim também, no dia em que eu não puder ajudar.
No fim, como era de se esperar, conheci pessoas interessantes, dentre as tais sete "voluntárias". Como seria o perfil de pessoas que se propõem a mudar de vôo para que ele possa partir dentro do que a lei manda? Pessoas objetivas, que desejam solicionar logo uma situação?  Pessoas medrosas ou não que desejam fugir de um vôo supostamente inseguro? Pessoas que desejam ajudar o próximo?? Que é isso!.. Pessoas que não têm o que fazer?!.. E eu? Onde me encaixo??
Bem, talvez não haja uma regra e seja uma perda de tempo ficar aqui tentando teorizar algo.

23 de janeiro de 2009

Chushingura - 忠臣蔵 e Giri to Ninjo 義理と人情


Outro dia assisti uma versão para cinema de "Chushingura", a famosa história dos 47 samurais que se vingam de seu senhor feudal, que foi injustamente condenado a cometer "seppuku". Eu já havia assistido a mesma história em Bunraku (teatro japonês de marionetes), produzida em Osaka, em 1985. Para compreender esse conceito de "giri to ninjo" é necessário se aprofundar bastante na cultura e filosofia japonesas, mas esse filme ajuda bastante. 

Uma conexão comigo é a data do famoso ataque: dia 14 de dezembro. E quem me introduziu pela 1a. vez a essa história, e a esses e tantos outros conceitos, e me ofereceu um livro "Chushingura" em 1984, foi meu querido amigo Eduardo Goo Nakashima, também um louco sagitariano do mesmo dia! Valeu!

9 de julho de 2008

Memories of Tomorrow - 明日の記憶 - Ashita no kioku -



"Memórias do Amanhã" talvez seria a tradução para esse filme japonês de 2006 com Ken Watanabe (O Último Samurai). Creio que esse ator talentoso seja unanimidade no Japão. Seu personagem está com a doença de Alzheimer. Watanabe compôs muito bem o Saeki, o executivo bem-sucedido que começa a ter precocemente sintomas de falta de memória. Fiquei até com a sensação de que ele está doente de verdade. Não pude segurar as lágrimas à medida que fui observando sua relação com a esposa, que o apoia. Ficou difícil não me identificar em alguns aspectos de minha vida com meu pai, apesar de ele não ter o mesmo diagnóstico, ao menos por enquanto...Vou até dormir mais cedo.
Entre no site oficial e ouça a linda trilha sonora.

22 de março de 2008

A Balada de Narayama


Outro filme forte, para refletir...

Sinopse: Em um pequeno vilarejo japonês, todos que chegarem ao 70 anos devem ir ao topo de uma certa montanha para morrer - e a recusa seria uma desonra para suas famílias. Orin (Sumiko Sakamoto) é uma senhora de 69 anos, mas só morrerá em paz quando souber que seu filho mais velho, Tatsuhei (Ken Ogata), tiver encontrado uma esposa.

Premiações: Ganhou Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1983 e Melhor Fotografia no Festival Internacional de Cinema do Havaí, em 1984.

Há muitas passagens por demais inquietantes, se considerarmos os dias de hoje. Mas o que deixo aqui para refletir é sobre o que ficou para mim: será que conseguirei morrer dignamente, sem medo, com honra, em paz? Gostaria de morrer como tantos mostrados em filmes: aqueles que, mesmo sentenciados injustamente, seguem pelo corredor da morte de cabeça erguida, e não como outros, que vemos cheios de desespero, tentando fugir a todo custo.

29 de setembro de 2007

Kurosawa - Os sete samurais

七人の侍 - 1954

Eu já tinha assistido esse filme há muito tempo. Assistir agora foi completamente diferente. Até aí, normal. A questão é que a percepção que tive, a partir de tudo o que tenho vivenciado ultimamente foi muitíssimo sutil.
Observar estes criadores tantos anos à frente de seu tempo foi uma honra.

22 de agosto de 2007

"Fiz a minha parte"

21 de agosto | 21h | SÉRIE TÊMPERA - Homenagem - 70 anos do Maestro Ronaldo Bologna - Sala São Paulo

Claude Debussy: La plus que lente 5’

Villa-Lobos: Bachianas nº 2 - 22'

Prelúdio-canto do capadócio, Ária-canto da nossa terra,

Dança-lembrança do sertão, toccata-o trenzinho caipira

Camargo Guarnieri: Concerto para piano e orquestra nº 2 - 23'

Decidido, Afetuoso-scherzando, Vivo Max Barros - Piano

Carlos Moreno - Regente

Intervalo

Johannes Brahms: Sinfonia nº 4 - 45’

Ronaldo Bologna - Regente

Bem, para dizer a verdade, o que mais me agradou nessa noite não foi algum brasileiro. Foi o Debussy mesmo... No mais, algo que reparei: o músico após mandar um bom sólo com seu saxofone tenor, nas Bachianas, deu uma relaxada de alívio soltando seus ombros. Deve ter tido a sensação de "Fiz a minha parte"!..

É como o personagem "Doc" de "A conquista da honra" dirigido pelo Eastwood. Todos os soldados tinham que fazer muita coisa durante aquela batalha. Ele, o enfermeiro, não dava conta de tudo o que tinha que fazer, mas fazia o que podia. Fazia a sua parte...


28 de julho de 2007

Apocalypto

Medo todos temos. Mas uns o enfrentam.
Vamos em frente, movidos pela paixão, movidos pela determinação, movidos pelo objetivo, movidos pelo amor.

2 de junho de 2007

Uma cena

24/05

O Mar mais Silencioso daquele Verão
(Ano natsu, ichiban shizukana umi あの夏、一番静かな海), 1991, 101 min, cor

Os olhares dizem tudo. Confirmam idéias, se confraternizam, discordam. Uma cena muito breve de cumplicidade, apenas no olhar, me tocou de uma maneira muito forte.

Direção e roteiro: Takeshi Kitano
Elenco: Kuroudo Maki; Hiroko Oshima; Sabu Kawahara; Nenzo Fujiwara
Shigeru, portador de deficiência auditiva, trabalha como ajudante num caminhão coletor de lixo. Um dia, encontra uma prancha de surf descartada e então a resgata para consertar e se iniciar nas ondas. Seu empenho e a paixão pelo surf não o resguardam de enfrentar momentos difíceis. Este filme foi escolhido entre os dez melhores do ano, pela revista Kinema Jumpo.

Fundação Japão - Sempre Cinema: as sessões possuem legendas em português, com entrada gratuita e horários alternativos Veja programação